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Peeling: como funciona a descamação, quanto tempo dura e por que nem todo procedimento é como o peeling de fenol

  • Foto do escritor: Soul Derma
    Soul Derma
  • 12 de ago.
  • 7 min de leitura

Quem nunca viu um vídeo de peeling nas redes sociais e ficou um pouco assustado? Em muitos deles, a pele aparece extremamente vermelha, inchada, formando crostas e descamando de maneira intensa. Para quem não conhece o procedimento, é muito fácil imaginar que todo peeling funciona dessa forma e que, depois de fazer um, será necessário passar vários dias escondendo o rosto.


Mas a realidade é bem diferente.



Nem todo peeling é igual


O termo peeling é bastante amplo e engloba diferentes técnicas, substâncias, concentrações e profundidades de tratamento. Isso significa que existem peelings muito leves, nos quais a pessoa praticamente não percebe uma descamação visível, e existem peelings profundos, com recuperação mais longa e alterações bastante intensas na pele.


O famoso peeling de fenol, que ganhou enorme repercussão justamente pelas imagens impressionantes de seu pós-procedimento, está no extremo mais agressivo dessa escala e não deve ser usado como referência para todos os outros tipos de peeling.


Na prática, quando falamos em peeling dentro de uma rotina de cuidados estéticos, estamos falando de um procedimento que busca provocar uma renovação controlada da pele.


O que acontece com a pele durante o peeling?


Nos peelings químicos, são aplicadas substâncias específicas capazes de agir em determinadas camadas da pele. A intensidade dessa ação depende do ativo utilizado, da concentração, do tempo de contato, da quantidade de produto aplicada e, principalmente, da indicação de cada paciente.


É justamente por isso que duas pessoas podem dizer que fizeram um peeling e contar experiências completamente diferentes.


Uma pode relatar apenas uma leve sensação de ressecamento, enquanto outra pode apresentar descamação visível por alguns dias. Isso não significa necessariamente que um tratamento tenha sido melhor ou pior do que o outro. Significa apenas que foram procedimentos diferentes, indicados para necessidades diferentes.


Quando a pele começa a descamar?


Uma das dúvidas mais comuns é sobre quando a descamação começa. Em muitos peelings superficiais, ela não aparece imediatamente. Nas primeiras horas após o procedimento, a pele pode apenas ficar um pouco mais sensível, avermelhada ou com sensação de repuxamento.


Depois de um ou dois dias, algumas áreas podem começar a apresentar pequenas pelinhas, principalmente ao redor da boca, no queixo e nas laterais do nariz. São regiões de maior movimentação e, por isso, frequentemente a descamação fica mais perceptível nelas.


Ao longo dos dias seguintes, essas pequenas áreas vão se soltando naturalmente. A pele pode parecer mais seca e, em alguns momentos, até um pouco irregular. É importante entender que esse período faz parte do processo de recuperação. Não é exatamente nessa fase que o resultado final deve ser avaliado.


Quanto tempo dura a descamação do peeling?


Nos peelings superficiais, a recuperação costuma ser relativamente rápida. Em muitos casos, a descamação dura poucos dias e pode até ser bastante discreta.


Já em peelings médios, a resposta da pele tende a ser mais evidente. E, nos peelings profundos, o cenário muda completamente: a recuperação pode envolver vermelhidão acentuada, inchaço, crostas e semanas de cuidados.


Por isso, não existe uma resposta única para a pergunta “quanto tempo o peeling dura?”. Tudo depende da profundidade do procedimento e da resposta individual da pele.


E aquele peeling de fenol que aparece nas redes sociais?


É aqui que entra o famoso peeling de fenol.


Nos últimos anos, ele ganhou muita visibilidade justamente porque o pós-procedimento é bastante impactante visualmente. As imagens de pacientes com o rosto intensamente vermelho, inchado ou descamando em grandes placas naturalmente chamam atenção e acabam criando a impressão de que aquilo é o que acontece depois de qualquer peeling.


Não é.


O peeling de fenol é um procedimento profundo e muito mais agressivo do que os peelings superficiais utilizados rotineiramente em diversos protocolos estéticos. A proposta dele é promover uma ação bastante intensa sobre a pele e, justamente por isso, sua recuperação também é proporcionalmente mais complexa.


Peeling superficial e peeling de fenol são coisas bem diferentes!


Olhar para um vídeo de peeling de fenol e concluir que “peeling acaba com o rosto” é uma comparação injusta.


Estamos falando de procedimentos que podem pertencer à mesma família, mas que possuem profundidades, objetivos e tempos de recuperação completamente diferentes.


Um peeling superficial pode causar apenas uma leve vermelhidão, ressecamento e pequenas áreas de descamação. Já um peeling profundo pode envolver um pós muito mais intenso, com necessidade de cuidados específicos e maior tempo de recuperação.


Quanto mais descamar, melhor foi o peeling?


Não. Essa é uma das ideias mais comuns e também uma das mais equivocadas. A quantidade de descamação visível não deve ser usada como medida de sucesso do tratamento.


Um peeling pode provocar renovação da pele sem gerar aquelas placas de descamação que muitas pessoas esperam ver. Em alguns protocolos, a descamação é tão leve que o paciente percebe apenas uma textura diferente ou um ressecamento temporário.


É comum, inclusive, alguém fazer o procedimento e depois pensar:


“Mas meu rosto nem descascou direito. Será que funcionou?”


Essa preocupação costuma surgir porque fomos acostumados a associar peeling à ideia literal de “trocar a pele”. Porém, o objetivo do tratamento não é fazer o rosto descascar o máximo possível. O objetivo é provocar a renovação necessária para determinada indicação, preservando a segurança e respeitando os limites da pele.


Posso puxar as pelinhas?


Quando a descamação acontece, outro ponto importante é resistir à vontade de puxar as pelinhas.


Pode parecer inofensivo retirar um pedacinho que já está quase solto, mas aquela região ainda pode estar em processo de recuperação. Arrancar a pele à força pode causar irritação e pequenos machucados.


O mesmo vale para esfoliar o rosto tentando acelerar o processo.


Durante esse período, a pele precisa de uma rotina mais delicada. Não é o momento ideal para testar novos ácidos, usar esfoliantes fortes ou introduzir vários ativos diferentes de uma vez.


Os cuidados depois do peeling fazem parte do resultado


Na maioria dos casos, hidratação e fotoproteção ganham uma importância ainda maior no pós-peeling.


Como a pele está passando por um processo de renovação, ela pode ficar temporariamente mais sensível e vulnerável à exposição solar.


Por isso, seguir as orientações profissionais e utilizar corretamente o protetor solar faz parte do próprio tratamento.


Não adianta investir no procedimento e negligenciar justamente a fase em que a pele está se recuperando.


Celebridades também fazem peeling?


Sim. E o peeling está longe de ser uma novidade do universo da beleza.


O procedimento faz parte há décadas da dermatologia e da estética e também aparece na rotina de cuidados de celebridades.


A atriz Gabrielle Union, por exemplo, já mostrou publicamente a realização de peeling químico profissional. Ela também já falou sobre cuidados voltados para acne hormonal e alterações de pigmentação, mostrando que mesmo pessoas que aparecem constantemente com a pele impecável em fotos e eventos também lidam com questões comuns da pele.


E isso é interessante porque ajuda a desmontar aquela ideia de que celebridades possuem uma pele perfeita naturalmente.


A pele perfeita das celebridades não vem de um único procedimento


Quando vemos uma atriz ou modelo em um tapete vermelho, normalmente existe uma combinação de fatores por trás daquela aparência.


Rotina de skincare, procedimentos profissionais, tratamentos feitos ao longo do tempo, maquiagem, iluminação e acompanhamento especializado fazem parte desse processo.


Peelings podem ser incluídos nessa rotina, mas raramente são uma solução isolada.


Esse é um dos pontos mais importantes quando falamos de estética: resultados consistentes geralmente vêm de uma estratégia, e não de um único procedimento extremamente agressivo.


O peeling precisa ser escolhido para a sua pele


Não é porque uma celebridade realizou determinado peeling que aquele mesmo tratamento necessariamente será indicado para outra pessoa.


Cada pele apresenta características diferentes.


O que funciona para alguém com acne e hiperpigmentação pode não ser a melhor escolha para alguém que procura apenas melhorar a luminosidade ou a textura.


Por isso, copiar o peeling de uma amiga, influenciadora ou celebridade nem sempre faz sentido.


O que viraliza nem sempre representa o que é melhor


Também existe uma tendência nas redes sociais de valorizar procedimentos mais impactantes.


Quanto mais dramática é a transformação, maior a chance de o conteúdo viralizar. Um rosto completamente vermelho ou descamando chama muito mais atenção do que um peeling superficial cujo pós praticamente não aparece.


Só que impacto visual não significa necessariamente melhor resultado.


Em muitos casos, uma estratégia progressiva, com procedimentos mais leves e realizados de maneira planejada, pode fazer muito mais sentido do que simplesmente optar pelo tratamento mais agressivo disponível.


Qual peeling é o melhor?


Na prática, não existe um “melhor peeling” universal.


Existe o peeling mais adequado para aquela pele, naquele momento e para aquele objetivo.


É necessário avaliar se a pessoa busca melhora de textura, manchas, oleosidade, acne, sinais de envelhecimento, luminosidade ou outras queixas.


Também é importante considerar a rotina.


Algumas pessoas não podem passar vários dias afastadas do trabalho ou de compromissos sociais. Outras possuem maior disponibilidade para um período de recuperação. Essas informações também fazem parte da decisão sobre qual procedimento faz sentido.


Não tenha medo do peeling por causa do fenol


Se você já desistiu da ideia de fazer peeling porque viu aqueles vídeos intensos de peeling de fenol, é importante guardar uma informação:


nem todo peeling é assim.


Os peelings superficiais podem ter um pós completamente diferente. Em alguns casos, a pessoa apresenta apenas um pouco de ressecamento. Em outros, aparecem pequenas pelinhas por alguns dias. E existem situações em que praticamente não há descamação visível.


O fenol pertence a uma categoria muito mais profunda e, consequentemente, apresenta um processo de recuperação também muito mais intenso.


Entender essa diferença muda completamente a forma como enxergamos o tratamento.


Peeling não significa necessariamente ficar com o rosto descascando de maneira assustadora. Também não significa que a pele precisa “soltar inteira” para o procedimento funcionar.


A pergunta certa não é “quanto vai descascar?”


O tratamento deve ser pensado como uma ferramenta dentro de um planejamento de cuidados com a pele. Quando bem indicado, pode ajudar a melhorar diferentes aspectos da pele, respeitando sua condição e o objetivo de cada paciente. Por isso, talvez a pergunta mais importante antes de realizar o procedimento não seja:


“Quanto meu rosto vai descascar?”


Mas sim:


“Qual peeling faz sentido para a minha pele?”


Porque uma boa estética não busca simplesmente o procedimento mais forte possível. Ela busca a intensidade adequada, o tratamento correto e uma recuperação segura.


Por Dra. Lays Rebeca Louzada

Biomédica Esteta

 
 
 

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